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Problemas de sono em crianças com gagueira

Criança dormindo com bicho de pelúcia
22/03/2020

Problemas de sono em crianças com gagueira


É com satisfação que comunicamos a publicação do primeiro estudo epidemiológico sobre gagueira e sono. O estudo é de autoria da Drª Sandra Merlo, fonoaudióloga e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Fluência, em parceria com o Dr. Patrick Briley, fonoaudiólogo americano e professor da East Carolina University.

Foram analisados dados de 203 crianças com gagueira e 10.005 crianças sem gagueira, com idade entre 4 e 17 anos. Os dados foram coletados pelo “National Center for Health Statistics”, um instituto americano responsável pela coleta anual de dados populacionais de saúde.

Os resultados indicaram que as crianças com gagueira possuem maiores chances de apresentar insônia ou dificuldades de sono, sonolência diurna e fadiga diurna em relação às crianças que não gaguejam. Essa maior prevalência de distúrbios de sono em crianças com gagueira ocorre inclusive quando são descontados os efeitos de outros distúrbios do neurodesenvolvimento que sabidamente afetam o sono (como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de aprendizagem, transtornos do espectro autista, deficiência intelectual e convulsões). O estudo também mostra que os distúrbios de sono em crianças com gagueira iniciam ainda na primeira infância (já estando presentes aos 4 anos de idade) e persistem até a adolescência.

Os autores cogitam três hipóteses para explicar os resultados:

1) A gagueira e a insônia poderiam ser consequência de alterações em circuitos cerebrais compartilhados, principalmente no que tange aos núcleos da base (tendo em vista que estas estruturas estão implicadas tanto na gagueira quanto na regulação do ciclo vigília-sono).

2) Alguns distúrbios de sono (como os distúrbios respiratórios obstrutivos) poderiam facilitar o surgimento da gagueira em crianças predispostas geneticamente.

3) A gagueira poderia facilitar o surgimento de certos distúrbios de sono (como a insônia e o bruxismo), principalmente em decorrência de situações estressantes de comunicação.

Estudos futuros são necessários para determinar o quanto os distúrbios do sono podem influenciar na persistência da gagueira, intensificar a gravidade da gagueira e interferir com o progresso do tratamento fonoaudiológico da gagueira.

O estudo é intitulado “Sleep problems in children who stutter: Evidence from population data” e será publicado na edição de novembro/dezembro do “Journal of Communication Disorders” (Editora Elsevier).