DIAG 2016 > Prêmio DIAG 2016 - Resultado

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1º LUGAR

TÍTULO: Relação entre o índice de disfluências e velocidade de fala entre crianças gagas e suas mães

AUTORES: Magalhães, I. R., Schiefer, A. M.

INTRODUÇÃO: A literatura aponta que comportamentos inadequados dos familiares em relação à gagueira infantil, como, por exemplo, o não respeito à troca de turnos e velocidade de fala aumentada, tem um importante papel no desenvolvimento da gagueira. Embora o quadro seja reconhecidamente de base genética, sabe-se que a manifestação do distúrbio está subordinada a fatores ambientais e desenvolvimentais.

OBJETIVO: Verificar a relação entre o índice de disfluências e a velocidade de fala de crianças gagas com as de suas mães.

MÉTODO: Foram estudados 15 pares mãe-filho, sendo 15 crianças de faixa etária entre 5 anos a 9 anos (média: 6,7 anos), do sexo masculino e feminino e com diagnóstico de gagueira e 15 mães fluentes (média: 32,2 anos), atendidos no Ambulatório de Avaliação Fonoaudiológica do Hospital São Paulo / UNIFESP- EPM. Em relação aos aspectos éticos, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UNIFESP/EPM sob o número 714.082. Todos os participantes receberam informações a respeito do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O grupo de mães não deveria ter queixas ou evidências de alterações na comunicação e/ou histórico de gagueira na infância, apresentando na fala espontânea até 2% de disfluências atípicas. Todos os participantes foram submetidos à Avaliação Específica da Fluência: transcrição da fala espontânea (média de 200 sílabas gravadas em áudio) para verificação das disfluências típicas e atípicas e da taxa de elocução: velocidade de palavras por minuto (ppm) e sílabas por minuto (spm). A relação entre variáveis numéricas referentes à velocidade de fala e índice de disfluências de mães e filhos foi avaliada por meio de uma matriz de correlação de Spearman. Para a comparação entre os resultados dos grupos do estudo e o perfil da fluência da fala de falantes do português brasileiro, utilizou-se o teste t de Student. Adotou-se como valor estatisticamente significante no nível de 5% (p ≤ 0,05).

RESULTADOS: Destacaram-se duas correlações principais, entre velocidade de palavras por minuto (ppm) do grupo de mães e disfluências típicas dos filhos e sílabas por minutos (spm) das mães e disfluências atípicas dos filhos. As duas principais correlações são sugestivas de que possa existir relação entre as variáveis. A comparação entre o grupo do estudo e o grupo de falantes do português brasileiro coletados por Martins & Andrade (2008) em relação ao número de palavras por minuto e sílabas por minuto mostrou diferença significante entre os dois grupos. Sendo assim, mães de crianças gagas falantes do português brasileiro apresentaram taxa de spm e ppm significativamente maior do que os demais falantes do português brasileiro.

CONCLUSÃO: Os resultados obtidos reforçam a hipótese de que há uma relação interativa entre a fala de crianças gagas com a de suas mães. Considerando as mães como as principais parceiras de comunicação de seus filhos, esses resultados sugerem a incorporação na terapia fonoaudiológica de orientações familiares e de estratégias mais objetivas a fim de favorecer a promoção da fluência da fala da criança.

 

2ª LUGAR

Título: AVALIAÇÃO DA FLUÊNCIA, ATITUDES E SENTIMENTOS SOBRE A GAGUEIRA EM ESCOLARES COM GAGUEIRA

Autores: PALHARINI, Talissa Almeida. OLIVEIRA, Cristiane Moço Canhetti.

INSTITUIÇÃO: UNESP –MARILIA.

Introdução: A gagueira é um distúrbio multidimensional da fluência que pode causar diversos impactos psicológicos e sociais.

Objetivo: avaliar a fluência, atitudes e sentimentos de escolares com gagueira.

Métodos: Este consiste em um estudo transversal desenvolvido no Laboratório de Estudos daFluência-LAEF- UNESP/Marília, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição (n° 0081/2011). Participaram 35 crianças em idade escolar, de 6 à 11 anos, nativos do português brasileiro que apresentam gagueira. Todos escolares deveriam apresentar no mínimo 3% de disfluènias gagas. Os procedimentos utilizados foram: avaliação da fluência da fala; aplicação do questionário sobre a consciência da gagueira; avaliação das atitudes e sentimentos das crianças que gaguejam de acordo com os protocolos propostos pela Stuttering Foundation of America – SFA (Chmela e Reardon, 2005).

Resultados: A porcentagem de disfluências gagas variou de 3 a 19,50% (média de 7,19%, DP = 4,60). Na descrição dos atributos negativos (“mãos para baixo”) as respostas relacionadas à gagueira foram: gagueira, atitude das pessoas, humilhação, amigos tiram sarro/apelido/bullying e fala. Dentre os atributos positivos, duas categorias estavam relacionadas diretamente à gagueira: fala e fonoaudióloga. Os dados coletados por meio do protocolo “Escada das Preocupações”mostraram que o número de preocupações não relacionadas à gagueira foi maior do que o número de preocupações relacionadas ao distúrbio. Os sentimentos mais frequentes relatados pelas crianças durante a aplicação do protocolo “emoldurando a minha fala” foram distribuídos em positivos ou negativos. Dentre os sentimentos negativos, vale ressaltar que mais de 40% selecionaram os sentimentos de ansiedade, tristeza, preocupação e cansaço relacionados à fala. Os resultados das crianças obtidos na aplicação do protocolo “Autorretrato da criança quando apresenta fala fácil e fala difícil” mostraram que a maioria das crianças relacionou a alegria com a fala fácil (77,14%) e a tristeza com a fala difícil (82,85%), e mostraram estes sentimentos por meio da expressão do rosto da criança, ou por meio da escrita que realizaram no desenho, ou ainda por meio de relatos da criança anotados pela examinadora durante a realização do autorretrato. Outro dado relevante observado no autorretrato foi com relação à um desenho de corpo mais relaxado durante a fala fácil (31,42%), no qual os braços, por exemplo, estavam com curvas. Já no autorretrato da fala difícil foi observado em 31,42% um corpo mais tenso, visualizado pelos traços retos realizados no desenho e também pela expressão facial. Os achados relativos ao protocolo “Como vejo minha gagueira” chamou a atenção foi a tristeza evidenciada no rosto do desenho de 28 crianças (80%).

Conclusão: Os sentimentos negativos mais frequentes encontrados nas crianças com gagueira do desenvolvimento persistente e conscientes do distúrbio foram: ansiedade, tristeza, preocupação e cansaço. As atitudes negativas que predominaram nas respostas das crianças foram: preocupação da criança com relação à atitude das pessoas e das consequências de sua fala disfluente no meio social e acadêmico; o isolamento ou evitação de situações comunicativas ou sociais; o choro e a passividade de algumas crianças em relação ao distúrbio de fala.

   
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